Historia

Síndrome do Cachorro Preto: a triste discriminação de animais escuros

Síndrome do Cachorro Preto: a triste discriminação de animais escuros

Quando imaginamos que o racismo está em vias de extinção, descobrimos que os seres humanos podem ser racistas até contra outras espécies além da dele.

Uma pesquisa chocante divulgada pela ONG pró-animais Lucky Dog Animal revela que a maioria dos filhotes que definham nos canis são de pelo escuro. Em contrapartida, seus companheiros de pelo claro possuem chances significantemente maiores de serem adotados antes.

Tal tendência foi denominada pela comunidade científica de Síndrome do Cachorro Preto.

A diretora executiva da Lucky Dog Animal, Mirah Horowitz, afirma que o “efeito [da síndrome] é bem real”.

“Recentemente tivemos uma ninhada de cinco cãezinhos muito lindos, muito fofinhos, dois amarelos e três pretos. Os amarelos saíram rapidamente. Mas os pretos ficaram durante semanas”.

Além disso, cães pretos são submetidos à eutanásia (morte assistida) com bem mais frequência do que a média de outros cachorros.

A diretora de comportamento e realocação da Humane Society, organização sem fins lucrativos sediada em Washington, D.C., afirma que a entidade têm monitorado desde 2003 os animais em abrigos que ficaram mais tempo do que o normal até a adoção. A conclusão: cachorros com pelos negros, de tamanho médio ou com idade entre 2 e 3 anos são os últimos a serem adotados.

Para corroborar a nova pesquisa divulgada pela Lucky Dog Animal, um estudo de 2003 conduzido por psicólogos da Penn State (Universidade Estadual da Pensilvânia) constatou que as pessoas acham as imagens de cachorros pretos mais atemorizantes do que cães marrons ou amarelos.

Além disso, os indivíduos entrevistados classificaram os animais de pelo escuro como menos amigáveis, menos adotáveis e mais intimidadores.

Visita ao abrigo

Há também uma questão de logística e visual.

Enquanto os cãezinhos brancos e amarelos costumam atrair os olhares das pessoas, os de pelo escuro muitas vezes são ocultos pelas sombras das jaulas – daí mesmo a ideia de certas ONGs e abrigos de treinar os cachorros pretos para que estes sentem-se à frente dos canis nos horários de visitação.

Bell tem a sua própria teoria sobre os cachorros pretos: “Acho que tudo tem a ver com expressões faciais”, ela me explica. “As pessoas se conectam com os cães quando conseguem ler suas expressões faciais. Mas isso é complicado nos cachorros pretos. Você mal consegue ver suas sobrancelhas. Fica mais difícil humanizá-los e criar uma conexão em nível emocional”.

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Adaptação por amo meu peludinho, da matéria originalmente criada por Histórias com Valor.

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